A RevistaRia

A revista virtual da Ria Livraria

Editorial

Direção Geral:  Marcos Benuthe

Direção Executiva: Morgana Kretzmann

Coordenação Editorial: Morgana Kretzmann e Ian Uviedo

Produção e diagramação: Jarbas S. Galhardo 

Futebol & Literatura

Há muitas maneiras de se falar de futebol. Metáforas para política, problemas sociais, econômicos, amorosos. Da sanidade a insanidade. Assim também podemos dizer da literatura. Grandes nomes imortalizaram jogos, jogadores, copas, lágrimas e suores, como por exemplo nosso sempre amado escritor Sérgio Sant'anna que, inclusive, em seu último conto, publicado na Folha de São Paulo antes de vir a falecer dessa doença horrível que virou o purgatório de todos nós que pensamos na não extinção da humanidade, tratou sobre a goleira de um estádio de futebol.

Neste momento não dá pra dizer que o futebol chega a trazer alívio para os dias pesados, mas a literatura, sim. Contos, crônicas e poemas que conseguem nos tirar da realidade apocalíptica que o bicho homem se enfiou. Imaginar os bons tempos. Lembrar do passado. Esquecer o eterno 7x1 que nosso país vem sofrendo golpe após golpe desde que extremistas tomaram essa terra, outrora alegre e colorida.

São tempos difíceis, mas precisamos acreditar que as cores voltarão para nossas ruas, para nossas camisetas coloridas dos sábados e domigos à tarde. Nosso óculos espelhados voltarão a refletir a diversidade, a boa arte e os sorrisos.

Para finalizar, face aos últimos acontecimentos, não podemos deixar de nos manifestar a respeito de crimes cometidos por jogadores de futebol contra mulheres, que usam da culpabilização das vítimas em crimes sexuais e da objetificação do corpo feminino. Meninas, garotas e mulheres que para eles são vistas como genitálias a serem usadas e depois descartadas, algumas jogadas aos cachorros. Sabemos que ser mulher já é ser uma vítima em potencial. Ser mulher, muitas vezes, é estar em constante perigo.

Sexismo, machismo e feminicídio seguem sendo cometidos por esse tipo de homem que acredita que as mulheres não têm direito a liberdade, muito menos a uma dignidade sexual a ser preservada.

No Código Penal Brasileiro, cometer o ato sexual com uma pessoa embriagada configura crime de estupro de vulnerável. Embebedar uma mulher até ela ficar inconsciente e levá-la para um camarim trancado, com cinco homens prontos para abusar do seu corpo, é algo mais comum do que imaginamos, e por isso precisa ser condenado e criticado, e os responsáveis precisam pagar criminalmente e socialmente, ou seja, não podem nunca mais ter espaço em nenhum time de futebol para fazer nenhum tipo de trabalho. Futebol é arte, é exemplo, e precisa ser também responsabilidade. Esses homens precisam arcar com as consequências de seus atos em todas as esferas. Claro que sabemos que isso não é um problema de jogadores de futebol em si, mas sim de pessoas criminosas que deveriam ter como único destino a cadeia.

Que o futebol seja um palco para o respeito, a igualdade de gênero e raça, contra a homofobia, e que os campos se espelhem mais na literatura brasileira e menos nos pensamentos retrógrados e conservadores.

É esse tipo de homem, escorado por um pequeno coro, que tem dito que lamenta a existência do feminismo no mundo, pois nós, assim como tantas e tantos jornalistas, artistas e escritoras e escritores nos juntamos à maioria: Ainda bem que existe o feminismo no mundo.

Que o futebol e a literatura sejam cada vez mais feministas.