Vê Só

Quem você indicaRia?

O Vê Só desta edição foca em mulheres, visibilidade e sustentabilidade.

As indicações da equipe navegam por nacionalidades e expressões artísticas diferentes para inspirar as próximas semanas.

Morgana Kretzmann / Nós & Bambus

Da Praia de Garopaba para o mundo.

Mulher empreendedora.

 A Flávia Menegazzi Maffei é formada em Gestão Ambiental pelo IFSC e sempre amou macramê, mas estudava e praticava só por hobby. O namorado dela, Cássio, fez curso de movelaria em bambu e estudou por 3 anos engenharia civil, mas descobriu que sua paixão estava mesmo na bioconstrução e nos bambus.

Os dois são fascinados pelo mar, pela natureza, e por tudo que possa ser mais ecológico, sustentável e propício para um meio ambiente mais equilibrado, e juntos decidiram colocar todo esse amor em forma de arte.

O desejo é por um mundo mais sustentável, com menos plástico e mais fontes renováveis! Siga-os em @nos_e_bambus.

A escultora mineira Maria de Lourdes Alves Martins, (1894-1973) além de ter sido a única artista surrealista brasileira reconhecida mundialmente, também foi desenhista, gravurista, pintora, escritora e musicista: "não era fraca, não!"

Casada com o diplomata Carlos Martins, passou a maior parte da vida em Paris e Nova York. Seus ateliês eram movimentadíssimos, frequentados por expoentes das artes. Trabalhou com Piet Mondrian e Marcel Duchamp, de quem foi o grande amor da vida.

Apesar do início tardio, deixou vasta e inovadora obra.

Foi pioneira na visibilidade e na discussão da sexualidade feminina, e sua transgressora e surpreendente vida é contada no documentário de 2017, 

Maria, Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos, disponível na plataforma de filmes Tamanduá e no canal de TV a cabo Curta.

Nesta edição, quero indicar o documentário Sisters With Transistors, lançado em janeiro deste ano. Dirigido por Lisa Rovner e narrado pela Laurie Anderson, o filme expõe, sempre através de imagens de arquivo e fragmentos de filmes do cinema experimental, as histórias de Pauline Oliveros, Maryanne Amacher, Bebe Barron, Suzanne Ciani, Delia Derbyshire, Daphne Oram, Éliane Radigue, Clara Rockmore e Laurie Spiegel, mulheres que, cada uma à sua maneira, foram pioneiras na música eletrônica e, mais do que isso, foram as primeiras a propor uma nova forma de se ouvir. Para que a forma potencialize a natureza do conteúdo, os relatos são compostos apenas pelo som das vozes dos convidados, uma vez que tratam sobre artistas que sempre prezaram por uma nova música que para existir precisaria de um tipo de relação por parte do ouvinte que se baseasse na atenção, na sensibilidade e na transcendência. A história abarca um período que vai dos anos 50 aos anos 80, quando a música eletrônica, assim como qualquer obra produzida por mulheres, ainda era alvo de difamação e preconceito. O filme trata, então, de um registro impressionante sobre mulheres que, além de, como disse Daphne Oram, "sintetizar o som a partir do nada", conseguiram promover uma mudança revolucionária a partir da sua própria potência. 

Caroline Joanello / Os continentes de dentro

Os Continentes de Dentro é o primeiro romance da venezuelana radicada em São Paulo María Elena Morán. Narra a história de Sofía e sua busca pela avó, Aída, desaparecida desde que a instituição psiquiátrica em que havia sido internada é desativada. Enquanto tenta compreender a avó do passado - através de registros escritos - e as razões de seus atos, a princípio, incoerentes, Sofía parte para encontrar uma avó para o futuro. Acaba por mergulhar num universo inesperado de mulheres e mistérios da vida e da mente.

O livro foi lançado este ano pela Editora Zouk e pode ser adquirido aqui.


Jarbas Galhardo / Anne Catadora

Este mês, rendo-me ao poder das redes sociais para indicar uma digital influencer diferenciada. Anne Catadora (@annecatadora) é dona de um perfil no instagram com conteúdo raro de se encontrar: uma vida sem filtros, registrada por quem trabalha nas ruas, com o pé no asfalto. Na área de gestão ambiental, Anne esclarece com desenvoltura questões técnicas sobre os diversos tipos de resíduos e seus corretos descartes, mas são suas denúncias sobre o preconceito social sofrido diariamente pela classe trabalhadora da coleta seletiva que fazem de Anne uma ativista social e ambiental com conhecimento de causa, uma mulher inspiradora e admirável, que merece todo nosso respeito. 

Leia também

Entrevista

HQ Ria - edição #14 - Laerte