Vê Só

Quem você indicaRia?

O Vê Só desta edição é todo do universo do horror.

Aqui estão as indicações da equipe para inspirar as próximas semanas.

Patrícia Melo dispensa apresentações. Indico este livro que a editora Rocco apresenta como uma, "aventura diabólica". Uma novela que mistura literatura policial e de terror, com momentos ímpares de humor - coisa que só um suspense muito bem narrado consegue nos entregar. O livro é de 2010 e segue mais atual do que nunca. 

Site da editora

Marcos Benuthe O Terror no Cinema

Terror, terrir, suspense aterrorizante, terror musical etc.

O gênero Terror no cinema é generoso, comporta os outros gêneros, é apenas uma simplificação. Grandes diretores se dedicaram ao gênero:

O mestre do suspense, ALFRED HITCHCOCK, pode ser considerado mestre do Terror também. Os pássaros, Psicose - com a lendária cena do chuveiro -, entre muitos outros filmes;

Do genial TIM BURTON, Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet, Os fantasmas se divertem, A lenda do cavaleiro sem cabeça etc;

ROMAN POLLANSKI, com os filmes formadores de cinéfilos, A dança dos vampiros e O bebê de Rosemary;

O impressionismo alemão, com FRITZ LANG em M, O vampiro de Dusseldorf, Dr. Mabuse, entre outros;

ROBERT VIENE, com O gabinete do dr. Caligari, pode ser considerado o movimento precursor do Terror no Cinema;

MEL BROOKS com sua obra prima, O jovem Frankestein;

JORDAN PEELE, com o terror de "atmosfera" que o consagrou, Corra;

Grandes atores fetiches, consagraram-se atuando em filmes de terror, como BORIS KARLOFF, em Frankenstein e CHRISTOPHER LEE, em O vampiro da noite;

E pra terminar, os brasucas IVAN CARDOSO, com O segredo da múmia e As sete vampiras, entre outros, e ZÉ DO CAIXÃO e toda sua obra.

Terror, manancial de infinitos talentos.

Ian Uviedo / Fernanda Melchor

Na busca constante por autores que retratam e investigam a história da violência na América Latina, deparar-se com a mexicana Fernanda Melchor, essa cruza entre Roberto Bolaño e o diabo, é um achado sem igual. Publicado originalmente em 2017, Temporada de Furacões, num sistema multi-polifônico narra a história de um assassinato coberto de controversas. A voz central se altera ao longo do romance, majoritariamente conduzido na terceira pessoa, mudando numa única frase, por exemplo, da primeira para a segunda pessoa, num estilo selvagem que me lembrou algo dos não-tão-latinos António Cabrita e Antonio Lobo Antunes. É como se as passagens violentas de um livro feito 2666 fossem exploradas à exaustão, criando um clima denso que se estende por toda a trama. Quando começamos numa nota tão alta, o desafio é ver por quanto tempo podemos sustentá-la, e meu maior medo, no decorrer da leitura, era que Melchor não conseguisse manter a tensão no ar. Mas a autora, vencedora do Prêmio Internacional de Literatura Haus der Kulturen Welt 2019 e finalista do International Booker Prize 2020, ao criar personagens tão cheios de paixão como Luismi, Brando, Munra, Norma, a Lagarta, a Bruxa e outros seres que vivem entre o concreto do horror e o espanto da imaginação, consegue penetrar a narrativa por todos os lados, contando aos poucos esta história que, afinal, é a nossa. Permeado por um humor próprio daqueles que vivem num continente onde a jocosidade é uma arma contra o cotidiano, embalado por uma tradição fantástica que encontra reflexos em Silvina Ocampo e pontuado ritmicamente por canções do brega mexicano, Temporada de Furacões, ao abordar o racismo, a misoginia, o latrocínio, a pedofilia, a bruxaria, a corrupção e outras chagas é um livro elétrico; do nada um tiro que estoura na época dos trigger awarnings. Fernanda Melchor, viva, e que mais da sua obra seja traduzida por aqui.

saiba mais no site da editora Mundaréu.

Criado por Déia Freitas, o podcast Não inviabilize está cada vez mais forte. Neste projeto, Déia recebe histórias reais por e-mail e as reconta no programa, mudando nomes e pontuando com seus comentários hilários, sinceros e mordazes. As histórias são organizadas em editoriais: o Picolé de limão traz enredos de desentendimentos (em sua maioria, amorosos); o Amor nas redes conta histórias de amor bem-sucedidas; o Mico Meu foca nos vexames (muitos da própria Déia); Patada traz protagonistas animais. 

Mas quero chamar atenção ao quadro Luz acesa, dedicado a histórias de terror, com foco no sobrenatural. Como todas as histórias do podcast, são eventos reais - o que dá ainda mais medo na gente. Os efeitos sonoros e o talento de contadora de histórias da Déia deixa tudo ainda mais apavorante.