A RevistaRia

A revista virtual da Ria Livraria

Editorial

Direção Geral: Marcos Benuthe

Direção Executiva: Morgana Kretzmann

Coordenação Editorial: Morgana Kretzmann e Ian Uviedo

Produção e diagramação: Jarbas S. Galhardo

12ª Edição - um ano depois

De todas as qualidades do kiri japonês, de suas flores abundantes em néctar à sua madeira leve e maleável que encanta escultores, talvez a mais impressionante seja seu crescimento: três a cinco metros por ano. Paulownia Tomentosa, Kiri ou Árvore do Futuro, não importa o nome que se dê. O fato é que suas propriedades respiratórias, suas raízes profundas, suas folhas enormes e suas adaptações climáticas a tornam uma das árvores mais interessantes do planeta.

Mas qual a relação disso com uma revista literária que completa sua primeira primavera?

Bem, da perspectiva da terra, um ano, uma primavera, é muito pouco. Mesmo para alguém, digamos centenário, pode ser muito pouco. Mas, para nós, a equipe editorial da RevistaRia, tal como para o kiri japonês, um ano significa muito. Significa crescimento, aprofundamento de raízes. Um ano é uma vida, ou ao menos o começo dela. Com um ano os seres humanos começam a dar seus primeiros passos sozinhos. Com um ano a maior parte dos mamíferos alcança independência, enquanto que para os artrópodes um ano passa em mais ou menos três minutos. Um ano, como unidade de tempo, é relativo. Como representação de afeto, porém, é gigantesco.

Os motivos que nos levaram a inventar e alimentar esse espaço até agora podem não ser dos mais alegres. A pandemia e, sobretudo, a falta de preparo do governo para lidar com a pandemia, é que nos fizeram bolar um meio para manter vivas as nossas trocas, afetos e admirações. Um ano de isolamento é estranho, é um tempo que passa ora líquido, ora rochoso. E a Revistaria, que não faltou a nenhum mês, serviu como farol nesse tempo tempestuoso. Não queremos propriamente comemorar, por não ser momento de comemorações, e sim celebrar. Celebrar a possibilidade da vida, as flores e os frutos que geramos e colhemos, o crescimento, a transformação, a literatura, as artes.

Agradecemos então a Eva Uviedo, Marcelo Montenegro, Marcela Dantés, Matthew Shirts, Larissa Zylbersztajn, Raimundo Moura, Fábio Moon, Gabriel Bá e Clóvis Stocker, por se reunirem conosco nesse momento, nos brindando com suas criações inquietas e olhares únicos. Agradecemos aos nossos leitores, aos que há um ano nos acompanham e aos que estão chegando agora, todos ar do pulmão que sopra essa primeira das muitas velas que queremos assoprar. Agradecemos, continuamente.

Outra característica marcante do kiri japonês é o formato de suas folhas: assemelham-se a um coração. Um coração de vinte e cinco centímetros numa árvore que cresce cinco metros por ano. E assim estamos, crescendo exponencialmente, apontando o alto, com vários corações se agitando ao vento das circunstâncias. Criando raízes. E começando a andar. E andando.